domingo, 14 de abril de 2013

Cheiros



venha pra cá
me conte besteiras
fale-me o quê
você comprou na feira

alho, alecrim
tomate, cerveja
só quero escutar

sua voz de manteiga

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Tempo Eterno

No tempo eterno
Nu ao novo tempo
Terno, tenro, gentil

Grato sempre aos desígnios de abril

Pelado e posto
De prontidão ao novo rosto
Exclusivo à inclusão do novo bicho
Humano, pronto para a aptidão
No entanto há validade
Ao prazo de gravidade
Eis nossa tragicômica missão:

Escrever, escrever e escrever
Para sentir a solidão
Viver, viver e viver
Para não morrer em vão.

Tempo Eterno
Tempo Infinito
Tempo Presente







sexta-feira, 22 de março de 2013

Vex


Tu transveste-se
de vestes diversas.
De convexas poses
tu anda discreta.

Surrupia a noite
e volta depressa.
Que em seu casulo de açoites, querida,

O tempo nunca te impeça.



purfato


purfato s.m.
1. Aquele que apesar dos fatos, nega.
2. O ato de estar raivoso sem causa aparente.

3. Uma ótima e prazerosa sensação de embriaguez ao estar sóbrio.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Espelhos


Há sempre reflexos. 
A noite lá fora já caia aguda sobre os míseros e solitários carros em busca de conforto e velocidade, carros tristes, sem saber da verdade da finitude, da verdade do engasgo do motor, do prego no caminho da noite, da namorada atrasada. Transportes cívicos individuais, poluentes e práticos.
Mesmo lá dentro, mesmo dentro da escotilha da irracionalidade, há reflexos.
Pelo retrovisor o estrago já foi feito
Pelo para-brisas, a chance de dar merda de novo.
A música já soa mais lenta dentro de casa, o vento lá fora é sedutor como um pedido ao pé do ouvido. Tudo leva a crer que o gesto já foi feito, o carro já se foi, a desilusão foi seu motor de arranque. A lua cai e as estrelas se tornam difusas enquanto o motorista é ofuscado pelos raios de um sol presente, o motorista acelera em busca desse calor dia após dia. Dia após dia.




terça-feira, 1 de janeiro de 2013

2013




2013 Ano Novo. Ano bom, feliz, digno, confiando em seu próprio punho tu vais a luta, tu choras, gritas e consegue o que quer. Já dissipa-se o medo, te invade o corpo a ternura, a graça, o galanteio, o amor, a paixão. O discurso, a defesa de ideias! De pontos de vista! Finalmente o peito é estufado, a gana escorre da boca, da língua feroz, da boca carnuda, gentil e delicada. Busco-te! Mas nunca hei de te encontrar! Porém enquanto isso vou tendo visitas momentâneas aos céus por causa de você meu amor, você minha linda, minha querida, é minha comunhão com Deus. Sou um aluno e também sou mestre, a partir de agora vivo a ensinar e a aprender, vivo com vontade, buscando o equilíbrio durante madrugadas quentes e dias frios. A energia universal contida dentro deste receptáculo é magnífica, jubilosa, gostosa e sadia. Energia esta que se move a seus passos meu bem, é minha parte animal, quando corro, quero, desejo e possuo, a emoção torna-se física e não me aguento só. Aí vem o cosmos, a meditação, transformar a paixão em amor, domar o desejo inebriante, canalizá-lo dentro da abertura peitoral e conseguir ir além da razão, da lógica cartesiana, esta energia ao mesmo tempo está em dois lugares, se diluindo a minha volta a sua procura e também me completando, me solidificando, me exaurindo, me transformando em ser espiritual vivendo Amor.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O Fluxo de Consciência



O fluxo de consciência bate, aflora, minha mente divaga de forma constante e a flora. Que flora é aquela que sobrevive ao esgoto? Que flora é aquela que sobrevive a podridão humana? Podre?
Quero escrever, mas não sei porque acho que há O jeito de se escrever, um método, um jeito de se sentar, um lugar pra se pensar, sentado, em pé, no chão, deitado, a mão, a máquina, de bruços ou de cócoras. Há pouco tempo me vi deitado com as costas pro alto escrevendo numa tela de lcd, decidi sentar e no movimento bati meu pé na porta, bati meus dedos, a dor veio. Aquela dor traumática do mindinho aleijado não me acomete há um tempo, graças a deus. Deus esse que me fez manco, manco de coragem, manco de persistëncia e disciplina. Mas me fez brilhar, reluzir na sensibilidade reprimida. Meus textos são sempre curtos, contos talvez, prosas pequenas falando sobre nada, ou sobre tudo, melhor dizendo, sobre mim. Há um auto-apego, mas esta característica permanece somente aos textos. A semelhança com os filmes se baseia nas ideias esporádicas, nada é realmente planejado, nada é duradouro, ou será que é?
O que quero dizer é que pareço um bebê, olho o mundo, presencio o presente: de certa forma, talvez, porém. Palavras essas que me fazem jus. Opiniões contraditórias ou a falta delas. (o chão de alvenaria não escondia as manchas de sangue de meu pai) Oh as divagações, oh o prazer pela perna, oh as mulheres, oh os homens , oh as musas. Sempre a auto análise, sempre a auto crítica, a maioria das vezes nem juízo de valor há, é uma curiosidade científica minha sobre minhas ações, FLUA, deixe-se fluir, liberte-se da mente procastinadora, faça agora o que tem que ser feito, mate-o. (acabei de me assustar e depois ter um certo prazer, e depois rir, fluí, me deixei levar, apareceu mate-o, medo porque isso saiu de mim, matar a quem? porque? Prazer por descobrir como meu incosciente é perverso, depravado, instigante, estelionatário, lindo, mundano e místico, riso pois acabou de haver o que falei pouco antes, como sempre me auto analiso, bastou uma palavra fora do contexto para 6 linhas e contando sobre meta-cognição, isso é Tomas)
Abóboda que cai reta me salva da neve que penetra em poros capilare no anus da moça que veste púrpura rosa e anil aos verões, sutil é como deve-se aproximar de uma dama , sutil é como se morde uma banana, sutil é o som da espingarda, sutil é a queda do pássaro morto, pássaro morto, pássaro posto na mesa requintada de quintal na alsácia lorena alemã, numa viagem ao tempo do reich perseguido me vejo nu em campos de guerra sendo alvejado e não sentindo, me vejo moribundo numa maca sendo atendido por uma conselheira fantasma com máscara de gás entalada na garganta que pulsa por gritar e grito e sou louco estoy no manicomio, estou no manicomio ONDE QUERIA ESTAR! encontro meus amigos depravados e bebados, mas quero a sobriedade de uma famíli ajustada, quero ser o mais diferente ao ser tão normal como minha gente, feliz feliz, voo, quero voar por aí de forma de forma deforma, deformalmentementenomomentoalgume me chama pelo nome pedro, esse não sou eu! respondo pooorra, esse não sou eu.

Virá um dia uma ideia a longo prazo? Uma história quem sabe? Personagens e enredos? Cenários e desesperos? Sim, virá, sei porque peço, peço ao meu glorioso inconsciente que acesso quando quero, ou não quero.